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Memórias


Em minha casa não tinham livros, mas lembro-me, com muitas saudades da casa de meus avós. Lá existiam muitos livros de matemática, porém não conseguia compreendê-los. Meu avô era arquiteto e engenheiro e seus livros eram relacionados à sua profissão.

Mais tarde, fui entender porque não conseguia ler os livros, tinha muita dificuldade para ler e escrever, e não conhecia a matemática, o que me levava a chorar muito. Porém, minha vontade era maior que minhas lágrimas. Naquele tempo de escola, os alfabetizados sentavam na frente, próximos da professora e eu sempre ficava na última carteira, entretanto, não desisti, saí da última carteira e comecei a ficar mais próxima da professora.

Tive ajuda de minha avó e das professoras que não desistiram de mim. Vovó com seu jornal, o lia sempre que possível, gostava de ouvir aquelas histórias e muitas vezes com esforço, explicava o que eu não compreendia. A professora fazia atividades de recortes para construir as palavras, ditados e leituras orais em sala de aula.

Com o tempo fui tendo acesso a mais livros, mas não conseguia terminar nenhum. Até que por volta de meus doze anos, dentro de uma lista de livros que a professora nos passou, para serem lidos no semestre, um deles fez toda a diferença na minha vida, “Capitães de Areia” de Jorge Amado. Lembro-me que quando terminei de ler minha mãe veio a meu encontro, muito aflita, pois eu chorava muito e estava emocionada com a história, nem tinha visto o tempo passar, e só queria ler e ler, ao mesmo tempo estava triste com o término da história, foi muito boa a sensação de estar “ligada” ao livro e àqueles sentimentos que eu nunca esquecerei, e tudo ficou mais fácil.

Descobri na adolescência, que os gêneros que me agradavam eram romances e drama. Desde então, desenvolvi “gosto” pela leitura. Lembro-me de conhecer outros gêneros, pois já estava trabalhando, e com a maturidade veio à necessidade de diversificar.

“(...) Hoje é incompreensível uma dissociação entre a leitura e a escrita (...)” Nilson José Machado.


PRISCILA ARANHA GUIMARÃES

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